domingo, 15 de maio de 2011

ele vem com um afagado e nos enrola num edredom na cama,

depois ele nos tira dela com uma mãozinha. Nos abraça e nos bota pra fora de casa.
O tempo é tão maternal que tem o poder, unicamente seu, de nos fazer acostumar a tudo.
E eu lhe agradeço
-por não me permitir à loucura solidão
e eu lhe imploro
-à falta de amor jamais quero me acostumar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O primeiro feitiço que jogou em mim a Bruxa má, mais má de todas

Se eu tivesse perdido o ônibus pra uma aula qualquer e tivesse que esperar para pegar o próximo, eu me atrasaria uns quinze minutos e, ao chegar em classe, o professor em seu discurso direto certamente lançaria-me um discurso indireto e, enfim, um constrangimento de três minutos. Houve um dia em que acordei trinta minutos errados e, chegando á reunião de negócios já começada, meu patrão suspendeu-me do trabalho com umm sermão por dois dias.
Afinal aí contavam sim os tempos, mas numa causalidade da importancia que me relacionava aos meus compromissos.
Apesar de não sermos íntimas - a Bruxa má, mais má de todas e eu - sua maldade estava acima de qualquer protocolo sobre meus fazeres e o tempo destinado a eles.
Pois bem, a Bruxa má havia me convidado ao seu jardim de raízes e eu, como mesmíssima má humana qualquer, pensando lá na informalidade de colher raízes para poções juramentais de instigações bruxísticas esqueci-me de atinar-me ao tempo e quando dei-me já haviam trinta segundos a mais que a lua combinada. Ao chegar ao jardim de raízes nem indireta, nem direta, nem sermão: enviou-me a bruxa má, mais má de todas, novamente aquele olhar aparentemente indiferente que acertou minha aura com uma praga de viver sempre eu correndo contra o tempo, encontrando seus brancos e rugas e manias em mim então depois tão indissolúveis.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Do que eu preciso é me lembrar que felicidade é duradoura não vai pra sempre. Mas aí vem a alegria e me distrai em euforia que se esvai e só o que fica: tristeza e boemia.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

pra isso aqui não ficar TÃO jogado pras traças

Era um louco que caminhava se arrastando sentado no chão. que parava no meio das ruas das portas das calçadas dos halls de recepção. e que lia jornal em alto e bom tom para a multidão.
quando viu que suas rodelas de pepino estavam sem cascas declarou-as tomates verdes e mesmo que lhe respondessem que os tomates eram servidos APENAS ÀS QUARTAS-FEIRAS e relativamente maduros não ouviu pois o disseram em outra língua. (E as manchetes de jornais que ele dizia eram também proclamadas por ele em outra língua. Mesmo quando sentado se arrastando no chão pelo caminhar sabia-se imóvel babel). Então constatou a inutilidade de explicar a impossibilidade de jantar embaixo da escada do sétimo andar afinal eram verdes os tomates e hoje é só domingo ainda. Mas como bom domingo o padre disse que ele estava conosco e respondemos em uníssono amém a esta e a demais questões que maria não compreendia pois não falava latim e tão pouco falava era muda por dentro de desnuda que fora foi ter-se em confissão com seus próprios demônios no armário da sacristia que aberto guardava uma torre que comia pepinos sem casca então ela disse que ali lhe pertencia e ele não responeu não só pelo pepino na boca mas porque não a entendia e enconlheu-se ela sentou ao seu lado e se fizeram dentro do armário. Duas babéis.